sábado, 27 de junho de 2009

A massa morta

Sobre a mesa a massa morta
isolada
inerte
abandonada
a massa morta
pega
joga contra a parede
a massa morta
amassa a massa morta
pode pisar
pode cuspir
tá morta
verde ou amarela
O que importa ?
Tá morta
Tá morta a massa morta

domingo, 21 de junho de 2009

A casa e o livro

O livro amarelado sobre a mesa
tanta humanidade encerra
A casa construída há tempos
forte e resistente, me abriga
Quantas coisas guardam
Na casa deposito meu cotidiano
palco da existência
dos momentos impiedosos de solidão
porém, acima de tudo
lugar onde reafirmo a vida

No livro depositam-se poesias
linguagens da alma
páginas tantas vezes lidas
nem por isso fatigadas
Estarão lá...sempre a minha espera
guardam palavras perpétuas
vindas do interior de alguém
Os livros sempre têm um fim
mas a releitura pode ser eterna

por isso amo minha casa
por isso amo meus livros
neles encontro
a eternidade e a finitude do meu “eu”

sábado, 23 de maio de 2009

Movimento Pais por Justiça


Pais de todo Brasil
Lutemos pelo direito que temos de proporcionarmos o bem e o melhor para o desenvolvimento psicofísico de nossos filhos.

O Movimento Pais por Justiça bem como outras organizações de mesmo cunho representantes da sociedade civil já estão se mobilizando em prol de podermos dignamente exercer nosso direito.

Já foi mais do que comprovado cientificamente que o convívio com o pai ou a mãe que não tem a guarda é de fundamental importância para o pleno bem-estar dos filhos tanto na infância quanto em sua posterior fase adulta.

Façamos, através da luta dentro da lei, essa causa acontecer.
Pais e mães de todoo o Brasil, UNÍ-VOS.

De qualquer forma, estarei a partir de agora militando, lutando e ajudando esse belo movimento no que for preciso para que estes pais tenham também o direito de conviver com seus filhos e filhas. Vamos em frente. A luta continua.

Força, acreditem, pois mais cedo ou mais tarde a Justiça será feita.

domingo, 10 de maio de 2009

Vó (duplamente mãe)

Ah, minha vozinha querida
sentada na cadeira de balanço
Aonde estaria diante de tantos momentos vividos ?
Estaria resolvendo a vida ?
Tirando conclusões ?
Fala consigo mesma em altiva segurança
sua palavra é a melhor companheira
A pele carcomida pelo tempo nos engana
tamanha vida que há por dentro
de histórias resolvidas ou não
no amamentar de cada filho
no cuidar de um pequeno irmão
no carinho ofertado aos netos
Amor ?
só teve um na vida
devoção
Quantas ceias de natal já não viveu ?
bolos, pudins e empadões
sentia prazer ao ver o prazer dos seus
devorando essas delícias
pobres são estas palavras
pequeninos grãos de areia
tentando traduzi-la
que vive há noventa e três anos
quatro meses
e oito dias
tempo suficiente
que desatina qualquer explicação

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Músicas de minha vida

Ouço uma toada
Ela me situa no tempo
Revela
meu presente premido de sons
No futuro
tudo será lembranças
melodias pausadas de uma época
recordações do hoje vivido
As músicas de minha vida
ressuscitam pessoas
amantes intangíveis
amigos distantes
amores perdidos
todos tragados pelo mundo
transmutados em canções
residem
no fulgor dos acordes
no grito de um refrão
até alcançar meu fenecer
lá permanecerão
capturados
para deleite
nas músicas de minha vida

Feriados

As pessoas e seus apartamentos sem barulhos
Da minha janela olho pra longe
e entre prédios contemplo um comovente silêncio
Todos dormem ?
Se não estão em paz com seus filhos
Almas apaziguadas
sem a loucura dos dias comuns
Os carros não passando
deixam um rastro de puro sossego
No ar o canto livre e fulgente dos pássaros
preenche calçadas vazias de homens
A luz do sol nesses dias é mais bela
O céu, mais azul
Queria mais tarde
morar em lugar distante dos ruídos urbanos
Só pra acordar
e sentir como se todo dia fosse de paz
doce imobilidade do mundo

Em feriados
me agride o dia acontecer lá fora
quando capitães põem gente pra trabalhar

sábado, 11 de abril de 2009

Meus balões

Sete da manhã
Acordo com salvas de fogos
Alertam para um dia de venturas
Domingo de Junho
Na varanda uma brisa esperança
Árvores de verde verdade tocadas por raios de sol
Prédios em concreto amoleciam as estruturas
A rua sem saída era fronteira do mundo

O céu claro azul salpicado por balões
Alavancava em mim desejos de voar como eles
Por trajetórias curtas e intensas
Tal qual o fogo das buchas a queimar

Ao olhar com o binóculo do meu avô
Avistava o mundo dos sonhos
Os via com detalhes
Carregavam imagens sacras coladas no firmamento
Obras de arte dos subúrbios

Hoje do mesmo lugar não há mais binóculos
Nem mesmo a sabedoria do meu avô
O azul insiste em ser azul porém a brisa agora é fria
Tanto céu para um só balão
Balão despertador a me alertar de tanta vida ainda por vir
Mas tão pouco sonho a se viver