segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Panqueca de Ameixa

SOMOS HUMANOS
FRÁGEIS, TEMOS MEDOS
SOMOS FALÍVEIS
TEM DIAS EM QUE ESTAMOS FELIZES, EM OUTROS DIAS ESTAMOS TRISTES
A VIDA É ASSIM
É PRECISO PROCURAR COM EQUILÍBRIO O QUE VAI SE FAZER, ESCOLHER, TESTAR
SABER QUE EU E VOCÊ SOMOS APENAS UMA POEIRA NA IMENSIDÃO DO COSMOS
NÃO ADIANTA, NÃO HÁ OUTRO JEITO PARA FALAR A NÃO SER ESSE, O DAS DONAS DE CASA
ESTAS TEM SABEDORIA DE BORDO, TRANSLUCIDEZ NA ALMA, SABEM FAZER PANQUECA DE AMEIXA
CHÁ DE HORTELÃ
SABER FAZER ALGUÉM FELIZ É COMO ANDAR SEM CHINELO NO PARALELEPÍPEDO, AS VEZES DÓI NA TRAJETÓRIA MAS É MUITO GRATIFICANTE QUANDO VEMOS OS SORRISO ALHEIO

domingo, 23 de novembro de 2014

O mundo não para em nenhum momento

Os barcos velejam, atracam e depois voltam ao mar.

As pessoas caminham nas calçadas sem parar, o vento não deixa de soprar, a gente dorme e acorda, os jogos não param de acontecer na TV, os programas mudam nas emissoras, nossas células não param de se renovar e morrer, a água acaba mas a gente enche novamente a garrafa, ontem fez sol mas hoje está nublado.

Nada para, nada para. As inquietações, as angústias, as alegrias, a timeline no facebook, nada para. Qual o sentido de nada parar ? É que o mundo, por mais estagnado que você se encontre ou se sinta, não para por sua causa. É um rolo compressor de fatos que vão acontecendo um atrás do outro e isso é bom.

É impossível apertar o pause para pensar e refletir. Ao refletir (mesmo em movimento) a gente também muda pois inventa novas possibilidades de renovar nossa existência. O bebê dormiu, agora acordou, tá vendo, as coisas mudam e eu tenho que ir.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Medos

Hoje acordei com medo
exatamente de que ainda não sei
veio de repente me tomando, irrompendo dentro de mim
muito medo
mas talvez o pior medo é aquele que a gente não sabe identificar de onde vem
medo da vida talvez
do futuro dos filhos, quem sabe
das responsabilidades da vida adulta, pode ser
é horrível sentir medo sem ter para onde correr
o dia começa e se impõe como um gigante sem saída fácil
tive que beber um copo d`água e seguir em frente mesmo com as pernas bambas
acendi um cigarro para aliviar
o peso da vida nas costas
mas havia o calor sufocante e as formigas na lata de leite
caminho pela rua, tento a trajetória menos torta possível
cada dia vai se resolvendo aos poucos
sabe lá quando isso vai passar, se passar
só os dias passam, os medos quase sempre ficam


terça-feira, 28 de outubro de 2014

IN(definições)

As indefinições são fantasmas dos quais quase todo mundo foge, ninguém gosta de viver uma indefinição, ou melhor, ninguém sabe ao certo como lidar com uma situação indefinida mesmo porque isso pode gerar ansiedade e stress.

Porém, dependendo da personalidade e das escolhas feitas ao longo da vida, nos deparamos fatalmente, em algum momento, com esta peleja. As vezes nos tiram o sono, outras nos levam a comportamentos exaltados.

Não há um remédio para as indefinições, talvez o que exista é, com sabedoria, saber aguardar tentando viver um dia de cada vez, um minuto de cada vez, mudando até a nossa forma de enxergar o mundo.

Indefinições existem em todas as camadas da realidade, desde a vida de uma pessoa até o destino de um país ou do nosso planeta. É preciso apreciar a paisagem, se emocionar com o sorriso do seu filho, receber o carinho e o abraço de conforto da mulher amada.

A dúvida maior, motor da indefinição, é o melhor caminho a trilhar até o algo a ser definido, sem quebrar coisas, sem brigar com ninguém, sem mudar o ritmo do nosso organismo.


É difícil ? Sim, é, porém, se faz mais que necessário tentar. Viver um momento de indefinição pode ser a abertura para um caminho novo dentro da jornada da nossa vida. 

domingo, 5 de outubro de 2014

Viva-se

A VIDA É
PRA SER
VIVIDA
ENQUANTO
HÁ VIDA

SOZINHO
OU EM GRUPO

TANTO FAZ


VIVA-SE

sábado, 27 de setembro de 2014

Estável

- Como ele está ?
- Está estável.
- Como assim ?
- Estável, a sete palmos do chão, bem estável.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Morreu

MORREU, ele morreu 
foi rápido, não sofreu
tinha uma marca triste nos olhos
da vida sofrida que tinha levado...
ele morreu

MORREU...numa tarde cinzenta de frente pro mar
MORREU de bermuda, camisa e chinelo
ele morreu

MORREU sem saber que iria morrer
seu corpo caído na pista afogado
na poça de sangue SERÁ QUE MORREU ?
MORREU.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Ocupo

Ocupo minha mente para não pensar na morte
Ocupo minha mente para não pensar
Ocupo minha mente para não sentir saudade
Ocupo minha mente para não gritar
Ocupo minha mente para não bater
Ocupo minha mente para não me jogar
Ocupo minha mente para não ser feliz
Ocupo minha mente para não te alcançar
Ocupo minha mente para não morrer aos poucos
Ocupo minha mente para não sentir dor
Ocupo minha mente para não ouvir o silencio

Ocupo minha mente para não surtar

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Teu Rastro


Me lembro que na primeira metade de 2009 ouvia ininterruptamente essa música. Lembrava da chegada da minha doce Helena que nasceu no dia 01 de agosto daquele ano. "Subo o mastro procurando o teu rastro, busco teus sinais". Para minha doce Helena, a quem busco os rastros até hoje, por onde andarás ?







segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Depressão

O mundo vem me devorando a todo instante, as vezes aos poucos, as vezes arranca grandes fatias de mim. O mundo me devora, as gentes me devoram, o outro me devora. Sinto que perco um grande pedaço de mim hoje. Não aconteceu nada demais, ninguém morreu nem um meteoro vai se chocar com a Terra. Simplesmente, a sensação de insegurança é avassaladora. O medo me domina, caem pedaços de mim espalhados pelo chão como se fosse uma garrafa de vidro estourando. O mundo me devora aos poucos, é assim, nesses dias, que percebo o quanto estou morrendo aos poucos, sendo devorado em partes, em alguns dias. 

Meus pés, minhas mãos, minha boca, não adianta se agarrar a parede, o desespero de estar sem chão provoca uma dor insuportavelmente grande na roda viva do tempo que não para de girar. 

Sou aquele que se perde de mim, estou me perdendo de mim mesmo hoje, talvez amanhã não esteja mas hoje estou. É como se sua alma fosse devorada por um monstro, como se sua energia escorresse pelo ralo. Esse sou eu hoje. O sofrimento e a dor que estou sentindo só eu posso definir porque é tão grande que é indefinível para o outro, mas também amanhã eu não esteja assim. 

Rio de Janeiro, 8 de setembro de 2014

Fernando Terra

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Projetos

Sou um caboclo que faz projetos
Ele fez um projeto para o doutorado
Ela projetou que teria que fazer isso para obter aquilo
Ele disse que a vida é um projeto onde você faz escolhas
Se eu não projetar o que vou comer com certeza irei engordar
projeto
projeto
projeto
Enfiem no cu seus projetos
Eles tem um projeto de vida. Foda-se
Projeto que se constrói aos poucos
para dar uma falsa noção de segurança e eficiência
no intuito de atingir alguma coisa
Seu projeto não foi aprovado. Foda-se
Enfia esse projeto no seu cu
Eu projeto que não terei projeto
Eu projeto que você dance e beba vinho
Você é um saco com essa porra de projetos
Projeto que você destrua seu projeto
e troque o projeto pelo sabor amargo ou doce do imediato
Medrosos cautelosos projetistas

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Diário de individuação I

A cada dia me confronto com a minha sombra. Muitas coisas que ela me revela eu já sabia, são apenas confirmações de certas tendências da minha personalidade que percebo desde a infância. A diferença é que agora as vejo de uma outra forma. Continuo reprimindo-as mas elas não são mais fantasmas ou monstros a serem destruídos, pelo contrário, são parte de mim e agora é mais que necessário saber conviver com elas. A necessidade de reprimir consiste puramente em respeitar certas normas da sociedade que precisam ser levadas em consideração para que se sobreviva nela. O processo de individuação é longo, estou apenas no começo, intenso, mas é apenas o início de uma longa jornada. Talvez a tão comentada jornada da alma.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Atrás do sol

corria atrás do sol, a menina corria atrás do sol
se pondo atrás dos prédios do centro do Rio de Janeiro
ela corria, corria, corria atrás do sol

corria sem parar, buscava o melhor ângulo
corria mesmo...atrás do sol
pouco tempo tinha 
por isso corria
ninã loira leve santa
que corria atrás do sol

sol teimoso, tramava desnascer
em breves minutos, a cada passo
ia embora aquele sol

nem tudo que ali tinha, mar, gente, areia fria
me distraiu de ver a menina que corria atrás do sol
numa busca incessante a menina não parava
pois corria e corria
e corria atrás do sol

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Comportamentos

"O que torna uma pessoa melhor é o seu comportamento", li essa frase nas redes sociais. Será ? Segundo essa premissa todos nós somos alunos em uma grande sala de aula e, dependendo, do nosso comportamento, perderemos ponto na média. Sim, o outro, além de ser o outro, é um outro que julga, ou seja, está sempre pronto a disparar um juízo de valor contra você. O pior é que o juízo de valor que o outro impõe sobre você é algo que ele incorpora de fora para dentro, como se fosse um juiz-robô repetidor de regras morais sem questioná-las. Vejo todo dia isso nas redes sociais e sou, inclusive, alvo desses juízos, porém, ligo o "foda-se" e sigo minha vida tranquilamente, afinal, como dizem, ninguém paga as minhas contas e tampouco carregam minha cruz, como diz o linguajar cristão. 

A frase citada acima mostra muito bem o que é a nossa sociedade hoje, uma sociedade baseada na análise comportamental, como se fôssemos ratos em laboratório onde os cientistas retirariam informações, experimentos e conclusões a respeito das diversas formas de agirmos no mundo e redes sociais como o facebook são os meios pelos quais esses juízos são feitos. O mais incômodo disso tudo é que por trás dessa análise de comportamento existe um juízo de valor moral onde as pessoas julgam as outras indiscriminadamente, muitas vezes sem conhecê-las e entender as formas desse indivíduo enxergar o mundo.

Há um padrão de comportamento imposto, isto é indiscutível, e se a pessoa não estiver dentro desse perfil ela é simplesmente posta para escanteio, isolada, como se tivesse infectada por um vírus altamente contagioso. É claro que para a sociedade existir e funcionar é necessário uma série de regras, o problema é quando há o exagero em querer determinar para o outro um padrão de comportamento. Muitos problemas entre pais e filhos surgem daí. 

A questão que me faço é a seguinte, por conta do meu comportamento eu serei melhor em que ? Eles dirão : "você será uma pessoa melhor". Mas como assim uma pessoa melhor ? Volto a perguntar, melhor em que ? O que é ser uma pessoa melhor ? Este é o ponto principal. O problema de se padronizar um comportamento ideal é que o que é melhor para um pode não ser para o outro e vice-versa. Apenas cada um pode ter a sabedoria de escolher o que é melhor para si. O problema é que muitas vezes as pessoas apenas seguem as referências dos valores morais impostos sem questioná-los e, desapercebidos, incorporam estas "leis'  como sendo aquilo que elas acham que é melhor para elas, defendendo-as com unhas e dentes e o pior, dependendo do jogo de forças, impõem isso a você.

Estou querendo dizer que antes de um determinado comportamento é preciso fazer uma filtragem para verificar se realmente aquela ideia que move aquele agir é algo que brota de dentro para fora ou vem de fora para dentro, correndo o risco de sermos apenas ovelhas que obedecem o caminho do rebanho.

Existe uma coisa fundamental que é a individualidade de cada um, cabendo a pessoa saber o que é ou não melhor para ela. Em uma determinada cultura o que é melhor para uma pessoa é, em outra , considerado ruim, portanto, é preciso relativizar a questão de que um determinado comportamento vai proporcionar a uma pessoa ser melhor. Precisamos nos libertar deste pensamento que não leva em consideração as diversas formas de se ver o mundo, não leva em conta a alteridade, além das múltiplas culturas existentes no planeta Terra, bem como suas múltiplas formas de enxergar a realidade.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Bozo

O menino se aproximou do caixão, entremeado por parentes e amigos do defunto, olhou fixamente para o morto e percebeu que ele vestia um terno preto, com gravata e colarinho. De repente um rapaz, aparentando ter uns 40 anos, se aproximou do garoto e disse :
- Ele viu o Bozo.

O menino saiu e se dirigiu para outro velório, eram vários acontecendo ao mesmo tempo em São Francisco Xavier. Dessa vez era uma senhora, cabelos brancos, vestido vermelho, família aparentemente simples, caixão de madeira prensada, nada de mogno, ela usava um colar de pérolas. Era bijuteria, claro, mas talvez o vestido vermelho e o colar fossem o que de mais nobre essa pessoa tivera em toda sua vida. Uma senhora loira, aparentando uns 58 anos, de blusa azul, se aproximou e disse :
- Ela viu o Bozo.

O menino se retirou discretamente, sem falar nada, e adentrou outro velório, dessa vez no segundo andar, ficou espantado pois o caixão era branco e dentro dele havia uma criança, uma menina, linda, fizeram trancinhas nela. Parecia que dormia um sono profundo e que logo iria acordar. Um senhor, já de idade, aparentando uns 75 anos, se aproximou do menino e falou sorrateiramente em seu ouvido:
- Ela não viu o Bozo.

O menino rapidamente saiu, ainda com a imagem da doce menina na cabeça e se dirigiu a outro velório, dessa vez...dessa vez....bem, dessa vez foi diferente. Ao olhar para o morto, as luzes brancas acesas, as pessoas ao redor do caixão, crianças, tios, primas, avô, avó, todos estavam ali, seus familiares, seus pais inclusive. Quando olhou para o caixão se estarreceu, não podia ser, ele estava apenas passeando pelos velórios, mas era, o inacreditável aconteceu, era ele, o morto era ele, o próprio menino, que no instante em que percebeu se transfigurou em desespero, começou a gritar, chorar e chamar pelos seus. Veio do fundo da sala um senhor de barba branca, terno preto, se agachou, olhou no fundo dos olhos do menino nos e disse : 
- Você não viu o Bozo, eu vi.


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

da felicidade subtrai-se a tristeza

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Necessários

Necessidade todo mundo tem
de comer, amar, viver, ser livre
de encontrar os amigos do colegial
de sobreviver diante das neuras familiares
de compreender que a vida é finita e a morte é o destino de todos
de fumar, beber e abrir a janela da sala nos dias de sol
de se deslocar de um lugar para o outro, seja de barco, ônibus, carro ou avião
de brincar como se a infância nunca fosse acabar 
de abrir emails
de entender as coisas como elas realmente são
de aceitar a contingencia da vida
de falar mal dos outros
de deitar numa cama quente
mas tem uma coisa que a necessidade não tem necessidade
de ser igual para todos

Nem todas as necessidades acima são, necessariamente, minhas ou suas
mas a cada um cabe saber o que é necessário para si mesmo e é a partir desse encontro com o necessário que podemos nos compreender melhor,
pois saberemos o que desejamos, logo, chegar perto de saber quem somos, o que somos ou até onde poderemos ir.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Terapias

Escrevo para exorcizar o que há de inacessível ao meu consciente,
deixo fluir a energia acumulada mas nem sempre obtenho bons resultados, não sou uma máquina de fazer café pré-programada mas quando dá certo
o resultado é como sair de uma academia em um bom dia de exercícios,
fico mais leve e bem-humorado.

Todos temos que desenvolver nossas formas de terapia, visto que a dita em questão é muito inacessível pelos altos preços. Dizia minha antiga terapeuta, "venha três vezes por semana" e eu pensava "vou pedir concordata a cada consulta". É complicado fazer terapia sozinho mas não impossível, basta ter criatividade e boa vontade. Um conhecido meu faz tera pia, ou seja, ao lavar a louça ele relaxa,outros, além de exercício, jogam a carga sobre a arte e obtém boas respostas. Uma conhecida faz mandalas, creio que as faz para não pirar e as faz muito bem.

Eu acho que cotidiano é isso, são pequenos movimentos, curvas, desvios, erros e acertos para mantermos nossa sanidade, ao menos a sanidade esperada para conviver em família ou, dependendo do dia, em sociedade.

É tudo uma questão de jogo de cintura, cansou, descansa, transou, relaxa, se estressou, respira fundo. Não temos uma noção exata do que acontece dentro do nosso corpo mas podemos desenvolver técnicas para nos mantermos vivos por algum tempo, o tempo que der, nem mais nem menos, o que der.

sábado, 9 de agosto de 2014

Pais

- eu tive meu pai, conheci meu pai mas ele nunca dizia que me amava, nunca me fez um carinho, sempre foi distante, parecia aquela figura embaçada de tão longe que ficava de mim.

- eu conheci meu pai mas foi por pouco tempo, logo ele se separou da minha mãe e foi lá para os lados de Caxias, nunca mais o vi, dizem que morreu de tanto beber.

- meu pai era uma pessoa muito formal, rígida, mas sabia como definir as coisas em casa, mamãe ficava feliz quando ele chegava do trabalho e nós o rodeávamos pois sempre nos trazia balas e doces.

- meu pai fazia tudo em casa, consertava o que quebrava, mexia com madeira, uma vez ele construiu uma casa de bonecas para a minha irmã, foi lindo.

- meu pai vinha as vezes nos visitar, mamãe sempre botava a toalha mais bonita sobre a mesa, fazia café com bolachas, ele lanchava, passava a mão sobre nossas cabeças e dizia : "como cresceram".

- meu pai só vivia para escrever, ficava naquela casinha nos fundos, não desgrudava daquela bendita máquina de escrever, eu só ouvia o barulho (tec tec tec), as vezes  gritava pra mamãe : "Marta, traga mais papel"

- meu pai dormia sempre no sofá, lembro que quando acordava o via jogado, com o terno amassado, mamãe não deixava ele pisar no quarto por nada, dizia que ele fedia a álcool e que se não largasse a tal vida boêmia ela iria conosco para a casa da vovó.

- lá em casa meu pai dizia : "se querem alguma coisa na vida, vão estudar, caso não queiram estudar, vão trabalhar, não quero filho vagabundo dentro de casa, anda, anda, decidam suas vidas"

- papai era uma pessoa magnífica, sabia exatamente o que fazer na hora certa, nos protegia e dizia baixinho no ouvido de cada um de nós : "te amo, mas não conta pra ninguém"

- eu quase não via meu pai, ele acordava muito cedo e chegava muito tarde, mamãe dizia que ele tinha dois empregos, uma vez mamãe voltou chorando pra casa e se jogou no sofá, fomos acudi-la, uma vizinha nossa também veio, disse para ficarmos no quarto, espiamos de longe as duas conversarem até que percebemos que papai tinha uma outra esposa e mamãe acabara de descobrir, parece que tinha outros filhos também, nossos irmãos por parte de pai.

- aos domingos papai cozinhava e tomava sua cerveja bem gelada, fazia malabarismos com tomate e pimentão, depois do almoço dormia, acordava, tomava um café e ia assistir o jogo do América no Maracanã, ia de trem, como era feliz o meu pai.


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Saquinhos

- Bacana esse saquinho de lixo de carro. Onde comprou ?
- Não comprei, fiz. 
- Que máximo, não sabia dessa sua habilidade. Nunca imaginei que se pudesse fazer artesanato com saquinho de lixo de carro. Ficou muito legal.
- Pois é, eu fiz um para experimentar e ficou legal, daí as pessoas começaram a perguntar, que nem você, e eu resolvi fazer pra vender.
- Legal a sua ideia. Já vendeu muito ?
- Alguns
- Tem que abrir uma fábrica de saquinhos de lixo de carro. No meu carro tenho que ficar catando toda hora senão vira um lixão de papéis de bombom, latas de refrigerante, etc
- Pois é, por isso os saquinhos de lixo de carro são eficientes, não deixam o lixo acumular, é só você esvaziar numa lixeira qualquer.
- Estamos indo pra onde ?
- Não sei, pegar um sol, sair um pouco de casa.
- É bom.